Uma empresa de grande dimensão enfrentava um processo de reestruturação de dívida com um objetivo prioritário: recuperar a estabilidade financeira e a credibilidade perante o mercado, preservando a continuidade operacional e o valor dos seus projetos. Foi-nos solicitada uma revisão externa para avaliar a consistência económica da proposta, identificar riscos de execução e apresentar uma leitura clara, útil para a tomada de decisões.
Na martinsdelima, encaramos o trabalho como uma revisão completa da arquitetura da reestruturação: como se reorganizava o financiamento, que pressupostos sustentavam o plano e que peças eram críticas para que o processo fosse viável. Neste tipo de operações, o valor não está apenas no “design” financeiro, mas sim na capacidade de o executar: por isso, analisamos a reestruturação com uma visão prática, assente em condições reais de mercado.
Um bloco central da revisão foi a recapitalização como elemento de apoio dentro da reestruturação de dívida. Avaliámos como a injeção de capital e a sua estrutura podiam contribuir para reforçar a solvência e a liquidez, e que decisões condicionavam o resultado final do ponto de vista económico, contabilístico e da confiança dos financiadores.
Também examinámos os riscos operacionais do processo, que, em reestruturações complexas, costumam ser tão importantes como os financeiros. Revimos a sequência de marcos críticos (seleção de entidades, coordenação com assessores, due diligence e preparação de documentação), porque pequenas fricções nessas etapas podem amplificar a incerteza e deteriorar a capacidade de fecho da operação.
Outro elemento-chave foi a análise de mecanismos de garantia e compromissos vinculados à operação. Em termos de execução, estes mecanismos funcionam como garantia de que o plano não fica apenas na intenção: aportam credibilidade e ajudam a converter a reestruturação num processo com maior certeza para investidores e financiadores.
Aplicamos uma metodologia de revisão em quatro camadas:
(i) leitura estruturada da situação financeira e dos detonadores de liquidez,
(ii) análise da arquitetura da reestruturação e do papel da recapitalização,
(iii) identificação de marcos críticos e riscos de execução (due diligence, seleção de entidades, sequência e governação), e
(iv) validação da coerência económica: que os componentes do plano fossem consistentes entre si e compatíveis com o apetite de risco dos financiadores.
O resultado foi uma revisão especialmente valiosa para a direção: um diagnóstico claro de viabilidade e riscos, com recomendações práticas para reforçar a exequibilidade e a credibilidade da reestruturação. Por outras palavras, a martinsdelima aportou uma camada de controlo e rigor que permite avançar com maior segurança: sinalizámos que partes do design eram críticas, onde estavam os principais pontos de fricção e que ajustes elevavam a qualidade do plano. Este enfoque, orientado para o mercado e para a execução, é o que converte uma reestruturação complexa numa solução sólida e eficaz.