Experiências
Planos de Negócios Análise de Coberturas
Avaliação, análise de Idoneidade e alternativas de gestão de risco

Uma empresa com exposição relevante ao risco de taxa de juro necessitava de rever se as coberturas contratadas realmente cumpriam a sua função: proteger o financiamento sem introduzir riscos adicionais. O objetivo da encomenda foi transformar uma operativa complexa numa leitura clara para a direção: o que foi contratado, que implicações tinha e como impactava na gestão financeira do negócio.
Na martinsdelima abordamos o caso numa perspetiva prática: um swap não é um “seguro” genérico, mas sim um contrato com fluxos e cenários. Por isso, analisamos como funciona uma permuta de taxas, como se negocia (mercado OTC, com condições à medida) e o que isso significa para a transparência, a comparabilidade e o controlo interno do risco.
A partir daí, o foco esteve na adequação: revimos o perfil do contratante, a sua capacidade real para entender o produto e se a informação recebida permitia compreender elementos críticos como riscos, cenários e custos de saída. Em coberturas financeiras, esta parte é decisiva, porque uma cobertura mal dimensionada pode converter-se em infracobertura (não cobre) ou em posição especulativa (acrescenta volatilidade).
O passo seguinte foi quantificar com rigor: realizámos uma avaliação económica para entender o “valor de mercado” do derivado e, sobretudo, o custo de cancelamento, que costuma ser o ponto cego mais frequente neste tipo de operações. Esta análise permitiu explicar, com rastreabilidade, como se forma o preço, que parte corresponde a condições de mercado e que parte pode responder a margens ou estruturas de custos integradas no produto.
Além disso, a revisão incluiu o contraste com boas práticas: identificámos alternativas de cobertura que podem gerir o mesmo risco com perfis distintos (por exemplo, instrumentos com lógica de proteção assimétrica ou financiamento a taxa fixa), de forma a que a empresa pudesse comparar soluções e escolher a que melhor se adequasse à sua realidade operativa e ao seu apetite de risco.
O resultado foi um relatório de consultoria altamente acionável: uma visão completa de idoneidade, economia do derivado e alternativas, que permitiu à empresa recuperar o controlo sobre a sua política de coberturas, melhorar a sua capacidade de negociação com entidades financeiras e estabelecer critérios claros para futuras contratações.
A nossa metodologia combinou três camadas, do conceptual ao quantitativo:
(i) Enquadramento e funcionamento do instrumento (o que é o swap, como se negocia OTC e que riscos implica).
(ii) Revisão de adequação e governação da contratação, apoiando-nos em normativa de proteção ao cliente e na lógica de testes de conveniência/idoneidade.
(iii) Avaliação financeira e custos de saída, incluindo avaliação a preço de mercado, cálculo do custo de cancelamento e análise da margem associada, com apoio de fontes de mercado.

A resolução foi excelente porque unimos rigor financeiro com utilidade empresarial: não só explicámos o derivado, como o convertemos em decisões. Identificámos com clareza que riscos se estavam a assumir, como se construíam os custos relevantes (especialmente os de cancelamento) e que alternativas existiam para cobrir o mesmo risco de forma mais eficiente. Assim, a empresa obteve um enquadramento para melhorar a sua política de coberturas, reduzir a incerteza e negociar com mais força, com uma análise rastreável e perfeitamente defensável perante qualquer stakeholder interno.