Experiências
Despedimentos Individuais

Despedimento individual de um diretor comercial: auditoria de desempenho, rastreabilidade e quantificação do impacto

Neste caso, uma empresa de referência no setor de embalagens sustentáveis enfrentava um conflito laboral individual em torno do desempenho do seu Diretor Comercial, num contexto em que o mercado era favorável e o produto se adequava à procura impulsionada por regulamentações de sustentabilidade. Apesar disso, a organização acumulava uma trajetória de resultados insuficientes e uma execução comercial que não correspondia ao exigível para um cargo-chave.
A martinsdelima elaborou um relatório pericial orientado a sustentar a decisão empresarial com evidência objetiva, evitando avaliações subjetivas ou genéricas. O trabalho comprovou um padrão consistente de fragilidades na execução comercial: ausência de medidas para reequilibrar a margem bruta e falta de estratégia comercial eficiente num cenário de perdas consecutivas, além de um desempenho avaliado em diferentes exercícios como “abaixo das expectativas”.
Um dos elementos diferenciadores do relatório foi a rastreabilidade digital do desempenho através de fontes internas. Analisando os registos do CRM corporativo, constatou-se uma ausência prática de uso da ferramenta por parte do diretor: dos registos em vários anos, apenas uma percentagem mínima correspondia ao seu utilizador, um dado especialmente relevante para um cargo de direção comercial. Além disso, documentou-se que, apesar do pedido expresso da Direção-Geral, não se chegou a elaborar um plano comercial, mantendo-se a companhia sem uma estratégia definida durante meses.
Para reforçar a robustez da análise (e torná-la especialmente defensável), o relatório não se limitou a descrever factos, mas incorporou uma quantificação económica do impacto com metodologia conservadora. Utilizou-se o EBITDA como indicador, por ser o que reflete receitas menos custos operacionais e evita distorções por juros, amortizações ou impostos. No Método 1, calculou-se o desvio do EBITDA real face ao orçamento aprovado pelo Conselho, delimitando o período por critérios de atribuição temporal, podendo-se calcular um prejuízo concreto.
Como segunda camada de consistência, o Método 2 estimou o dano comparando o EBITDA real com o que se teria obtido sob uma execução minimamente razoável e diversificada, podendo-se calcular um dano agregado para um período de vários anos. Esta dupla abordagem permitiu sustentar o caso com duas provas quantitativas convergentes, reduzindo a dependência de uma única hipótese e aumentando a credibilidade pericial.
O resultado foi um relatório que converteu um debate laboral individual num relato técnico claro, verificável e defensável, unindo avaliações de desempenho, evidências objetivas de atividade (CRM), decisões internas documentadas (plano comercial solicitado e não entregue) e quantificação económica robusta. Na prática, este trabalho fortalece decisivamente a posição do cliente em negociação e procedimento, ao sustentar a medida com metodologia e provas dificilmente rebatíveis.