Neste caso, foi levantado um conflito no qual era fundamental determinar, com rigor forense, o que realmente tinha acontecido com um equipamento corporativo e se existiam indícios técnicos suficientes de acessos a informação sensível, possível fuga de dados e/ou eliminação de informação. A tarefa exigia não só uma análise do dispositivo, mas também uma avaliação crítica da documentação técnica já apresentada pela outra parte.
A complexidade do caso residia no facto de o debate se basear em conclusões prévias de terceiros e em interpretações de “atividade não habitual” (p. ex., abertura de certos ficheiros, utilização de serviços de sincronização e ligações de dispositivos externos). O nosso trabalho consistiu em separar factos verificáveis de inferências e em converter uma narrativa técnica confusa numa explicação sólida, compreensível e defensável em sede judicial.
Desde o princípio, a martinsdelima estruturou a análise com um duplo objetivo:
(i) validar a evidência digital e a sua integridade e
(ii) realizar uma contraperícia técnica sobre os relatórios contrários, destacando expressamente a falta de prova digital quando existisse.
Como metodologia, aplicámos uma abordagem de informática forense rastreável e reproduzível: revisão da cópia/imagem do disco (correios e arquivos relevantes) e verificação de que a evidência não tinha sido alterada desde a sua obtenção e custódia. Além disso, o relatório inclui a utilização de ferramentas forenses reconhecidas e procedimentos de clonagem orientados para preservar a integridade dos dados (ferramentas como EnCase, Autopsy, WinHex e fluxos de clonagem com dispositivos forenses).
A partir daí, o trabalho “extraordinário” consistiu na contraperícia: identificámos fragilidades metodológicas e saltos lógicos nos relatórios revistos (por exemplo, não analisar a política de segurança, não demonstrar a utilização não autorizada de informação confidencial, não demonstrar a eliminação de documentação corporativa e, em geral, não apresentar indícios concludentes de fuga). Também esclarecemos aspetos técnicos que costumam ser confundidos em litígios: eliminação segura vs. ferramentas antiforense, explicando que o objetivo e o rasto que deixam são distintos (e que isto é determinante para avaliar corretamente o que pode — ou não — inferir-se).
O resultado foi uma peça pericial com foco no essencial: factos verificáveis, explicações técnicas compreensíveis e conclusões prudentes, mas firmes, que permitiram rebater tecnicamente afirmações não suficientemente comprovadas e apresentar uma base probatória clara para o procedimento. Por outras palavras: a martinsdelima transformou um cenário de suspeitas e documentos técnicos cruzados num relato forense sólido, defensável e alinhado com padrões periciais.